Descripción
tensão entre a obediência a uma tradição de pensamento e a liberdade de inovar em relação a ela, pondo-a por vezes em causa, foi certamente uma das características da Companhia de Jesus desde o seu início. Quando a Ratio studiorum começou a ser elaborada, surgiram imediatamente duas tendências entre os que nela colaboraram. Havia o grupo dos jesuítas que pretendiam que a Ratio incluísse listas de proposições filosóficas e teológicas que não deviam ser aceites nem ensinadas nos colégios e universidades da Companhia de Jesus, bem como listas de proposições consideradas ortodoxas e que, por isso mesmo, deveriam ser ensinadas. Um outro grupo manifestava-se inteiramente contrário a essa proposta, e foi esta posição que prevaleceu. De facto, a primeira versão do documento incluía listas de proposições filosóficas e teológicas, juntamente com indicações precisas sobre o modo de ensinar umas e sobre as razões para não ensinar outras. Na segunda versão ainda se incluíram algumas dessas proposições que acabaram por desaparecer completamente na versão final. Mesmo assim, a ideia de que os jesuítas não tinham liberdade de opinião, nem podiam publicar livremente as suas ideias devido a duas censuras, a da Inquisição e a da própria Companhia de Jesus, tem sido a posição dominante entre os historiadores ao longo dos séculos. Esta posição tem porém mudado em anos recentes, procurando os estudiosos da história da Companhia de Jesus mostrar como obediência e liberdade coexistiram de forma criativa nos primeiros séculos da nova Ordem. Esta constatação sugere algumas pistas pedagógicas na educação contemporânea para a liberdade.
Palavras-chave: ratio studiorum, educação, obediência, liberdade, filosofia, teologia